Perece e não é
A gramática é um instinto.
Sou tão confusa e ao mesmo tempo tão doida pela classificação da língua que se bobear sou capaz de crasear até artigo masculino. E com convicção, o que é vergonhoso! Reitero no erro.
De repente compreendo: a gramática é minha paixão.
Na verdade, a língua portuguesa e as palavras. Adoro ambas.
Quer ver?
Desprezante é palavra sonora de cara e modos maravilhosos e no entanto tem significado muito diverso e contrãrio - como pode significar descaso grave e afins se a palavra é tão linda?
Por sinal, adoro afins também.
Indolente não parece uma palavra que tenha preguiça, tem cheiro de palavra que anda sozinha, muito auto suficiente.
Já sôfrega me parece uma palavra repleta de não-faz-nada.
Eu disse que era cheia de delicieiras.
Escrever é meu lar, que terror!?!
1.05.2012
1.04.2012
Se penso, tudo me parece absurdo; se sinto, tudo me parece estranho; se quero, o que quer é qualquer coisa de mim. Fernando Pessoa
O vestido perdoado
Parecia vermelho, porém na verdade era carmim, isso porque na passagem do ano precisava usar branco, assim rezava a lenda e assim diziam os orixás mas ela teimosa, não fez.
Deveria ter ido ao mar, deveria ter ido rezar. Não fez nem um nem outro. Não recordou das rezas, das promessas feitas durante o ano. Só queria rosas, rubras de carmim.
As mães relevam, mas Iemanjá perdoa quando quer e somente quando é de sua vontade. Vestidos? Azul e branco pois se o ano era dela a cor era também sua, encarnada para ela, Iemanjá, e cores fora de seus domínios! Oras, pois carmim? Cor de Ogum? Que o vestido rasgasse, pois!
Não foi ao mar, não foi ofertar. Esqueceu-se
E Iemanjá, boa que era, desacordou-a.
Ela não foi.
Quando deu de si era outro o dia. E o ano era velho e o tempo era novo e ela, desatinada.
E Iemanjá, resguardada.
M.O. 4.01.2012
O vestido perdoado
Parecia vermelho, porém na verdade era carmim, isso porque na passagem do ano precisava usar branco, assim rezava a lenda e assim diziam os orixás mas ela teimosa, não fez.
Deveria ter ido ao mar, deveria ter ido rezar. Não fez nem um nem outro. Não recordou das rezas, das promessas feitas durante o ano. Só queria rosas, rubras de carmim.
As mães relevam, mas Iemanjá perdoa quando quer e somente quando é de sua vontade. Vestidos? Azul e branco pois se o ano era dela a cor era também sua, encarnada para ela, Iemanjá, e cores fora de seus domínios! Oras, pois carmim? Cor de Ogum? Que o vestido rasgasse, pois!
Não foi ao mar, não foi ofertar. Esqueceu-se
E Iemanjá, boa que era, desacordou-a.
Ela não foi.
Quando deu de si era outro o dia. E o ano era velho e o tempo era novo e ela, desatinada.
E Iemanjá, resguardada.
M.O. 4.01.2012
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